Sete gatos e um café (frio!)

O celular desperta e eu acordo, dou aquela espreguiçada bem longa, levanto e vou ao banheiro. Tomo um banho pra acordar o corpo, lavo os cabelos e depois faço aquela rotina de skincare sagrada: limpo, hidrato, tonifico. Agora sim! Acordada de verdade, hora do café da manhã.

Na cozinha, enquanto a água do café está esquentando, é hora de arrumar a mesa: frutas sortidas, pães, manteiga, geléia e um bolinho porque ninguém é de ferro. A chaleira apita e pronto, é só coar o café. Tudo pronto!

Tem dias que ligo a TV pra acompanhar o noticiário, outros volto pro livro da noite anterior porque aquele último capítulo estava bom demais pra esperar a próxima noite e, raras vezes, pego o tablet para ler o jornal. Enquanto isso vou tomando meu café, saboreando cada mordida do pão, do bolo, das frutas… 

Mas, o que é isso? Que coisa áspera é essa que eu to sentindo no meu rosto? Hoje não era dia de esfoliação não!!! E esse barulho, meu deus do céu?! Estão tentando derrubar a porto do meu quarto. SOCORRO! OK, agora eu estou reconhecendo esse miado. Esse também. E mais esse. 

Agora sim, hora de acordar!

Pego o celular e vejo que ainda faltam 10 minutos pro despertador tocar (sério, alguém me explica a capacidade desses gatos de sempre me acordar 10 minutos antes do despertador, independente do horário que eu coloco?). Espreguiçar é artigo de luxo, os gatos que estão do lado de fora parece que estão destruindo o resto da casa e os que dormiram no quarto também já estão agitados querendo sair. Posso só pegar meus óculos, por favor?

O caminho até o banheiro é longo e cheio de obstáculos, mas alcanço meu destino com êxito. Mas tenho companhia. Jamais vou entender essa fascinação que Nestor, Vicente e Marieta tem em me acompanhar ao banheiro. Banho? Skincare? Pode esquecer. Só um xixizinho antes que o Vicente destrua todo o papel higiênico.

Se o caminho até o banheiro já foi difícil, o caminho até a área de serviço é tortuoso. Mais obstáculos e o meu olho ainda nem abriu direito. 

“Você quer nos matar de fome?”, “A gente não come desde a meia noite de ontem!”, “Vamos te denunciar pro órgão de proteção aos animais!”, “Você sabe muito bem que eu não posso ficar muito tempo sem comer, sua louca!”, “Minha barriga está doendoooooo!”. Deve ser isso que aqueles milhões de miados significam. Se você é meu vizinho e está lendo isso agora, eu juro que não maltrato eles não. É tudo drama!

Mas ok, vamos acabar com isso! Berenice, Margot, Nestor, Vicente e Marieta comem a mesma ração. Catarina tem que ser a ração medicamentosa. E a caçula Maui ainda come a ração de bebê. Mas ei.. como é que a Maui já está comendo se o pote de ração dela ainda está fechado? Nestor, esse pratinho é da Catarina, meu filho! Não Berê, não vai embora, você só comeu três grãos! Ok ok ok! Vou ficar aqui assistindo vocês comendo. Eu nem estou com fome mesmo.

Todos alimentados, hora do meu café! Enquanto a água do café está esquentando, pego só um pão e uma fruta. A chaleira apita e é só coar o café. Será que consigo levar tudo em uma viagem só ou volto pra pegar o pão e corro o risco de não ter mais nada aqui? Beleza, vamos numa viagem só!

E que comece o malabarismo!!! A xícara de café não pode largar por nada porque a Margot está correndo feito doida e pode bater e quebrar a qualquer momento. Afasta a fruta da Marieta. Afasta o pão da Maui. Sim Vicente, você pode vir no colo da mamãe, mas não precisa passar o rabo na minha cara. Pronto Catarina, a janela já está aberta, pode ir tomar o seu solzinho. Nestor, meu amor, deixa a Berenice em paz!

Perdi aquela notícia que queria ver, dei só uns três goles no café porque já esfriou, não saboreei o pão e tampouco a fruta. O livro de ontem? Esquece! Eu tenho só duas mãos e tinha que cuidar do café, pão e fruta, lembra? Mas agora as coisas se ajeitaram e a paz reina. Vicente dorme no meu colo. Marieta e Maiu brincam no tapete da sala. Margot já sossegou e voltou pro meu quarto pra dormir as suas 18h diárias. Nestor se juntou à Catarina pro banho de sol e deixou a Berenice em paz que, agora, já está no cantinho dela dormindo também. 

E se alguém me perguntar se eu trocaria essa manhã louca por aquele café da manhã dos sonhos eu respondo que só gostaria que todos os gatos pudessem comer a mesma ração!