Pai de pet

Dia dos pais, é uma das datas mais importantes do ano. É dia de celebrar aquele que nos cuida, nos ama, e nos ensina todos os dias! Pai é aquele que nos cria, que nos ensina seus valores, que afasta nossos medos, que nos protege, que nos incentiva a sermos melhor. Ser pai não é só biológico, é emocional, é afeto, é conexão. Na maioria das vezes essa conexão ocorre entre pais e filhos do mesmo sangue, mas as vezes acontece entre parentes, entre amigos, às a mãe é também o pai, e por vezes essa conexão acontece até mesmo entre raças diferentes. É o que acontece com os pais de pet. Para algumas pessoas pode parecer estranho, exagero, ou até mesmo absurdo chamar nossos pets de filhos. Mas por muitas vezes, eles são e agem como nossos filhos, e inclusive, nos reconhecem como pais. 

Foi o que uma pesquisa da Universidade de Viena, na Áustria mostrou. Liderada pela veterinária Lisa Horn, 22 cachorros foram separados em três grupos: o primeiro grupo ficaria sem o tutor, o segundo ficaria acompanhado dos tutores que deveriam se manter em silêncio, e o terceiro grupo ficaria com os tutores encorajando-os a fazer as atividades propostas. As atividades incluíam brincar com alguns brinquedos e ganhar comida em troca. O grupo de cachorros que estavam com os tutores passavam muito mais tempo brincando, nem a comida motivava os cães que ficaram sozinhos. Horn refez o teste, substituindo os tutores por pessoas desconhecidas. Mas nenhum dos cães mostrou muito interesse pelos brinquedos. Segundo a veterinária, os testes são suficientes para provar a existência da “área de segurança”. Os cães se sentem mais seguros, confiantes e confortáveis na presença dos tutores, e quando estão sem eles, tudo parece mais perigoso e, sem graça. E é exatamente o que acontece na relação entre pais e filhos pequenos. “Esta é a primeira evidência da similaridade entre o ‘efeito de base segura’ encontrado na relação dono-cachorro e na criança-pai”, diz a pesquisa.

A Universidade Eotvos Lorand de Budapeste, mostrou pela primeira vez como o cérebro dos pets reage a diferentes sons e barulhos, tanto de humanos como de outros animais. Entre várias descobertas, os cientistas perceberam que as reações canina e humana à vozes emocionalmente carregadas são muito semelhantes. Sons alegres, em particular, causam reações na área do córtex nas duas espécies, e sem dúvida é a comunicação mais comum entre humanos e seus cachorros. “Nós não precisamos de neuroimagem para ver como a comunicação funciona (entre pessoas e cachorros), mas sem ela, não entendíamos por que funciona. Agora estamos começando a compreender”, disse Atila Andics, o autor da pesquisa ao site Mic. Essa pesquisa também comprova que a interação dos cães com os humanos é a mesma que de bebês com seus pais. Igual às crianças, os cachorros quando estão assustados ou preocupados, correm para os seus tutores em busca de abrigo e proteção. E veja que emocionante: procurar os olhos do tutor e olhá-lo diretamente é um comportamento exclusivo dos cães com os humanos, eles não fazem isso com seus pais biológicos caninos.

Outro estudo realizado na Emory University, nos Estados Unidos, descobriu que eles não só amam seus donos, como os veem como sua família. Através do olfato – o sentido mais importante para os cães – e da ressonância magnética, foi possível medir esse reconhecimento imediato no cérebro de alguns cachorros. Eles conseguem diferenciar diversos cheiros e reconhecer o cheiro do tutor mesmo quando ele não está presente, ficam felizes e a região no cérebro ligada à recompensa “acende“. E eles sempre priorizam o cheiro do tutor acima de qualquer outro – isso que é amor né!

E nossos filhos felinos? Desde que os gatos passaram a conviver conosco há aproximadamente 9,5 mil anos, os seres humanos têm um caso de amor com os felinos. Mas ainda há muito para descobrir sobre nossos amigos felinos – incluindo o que pensam sobre seus donos. John Bradshaw é um especialista em comportamento felino da Universidade de Bristol. Depois de observar gatos de estimação por vários anos, ele concluiu que, de fato, os gatos não nos entendem como os cães nos entendem. Bradshaw afirma que a maneira que um cão brinca com um humano é completamente diferente da maneira que ele brinca com outro cão. Mas gatos agem com humanos exatamente como com outros gatos, como colocar suas caudas no ar, esfregar-se em torno de nossas pernas, sentar ao nosso lado e nos seduzir são coisas que os gatos fazem entre si também. Eles obviamente sabem que somos maiores, mas os gatos não parecem ter adaptado muito seu comportamento social. 

“Os gatos se comportam conosco de uma maneira que é indistinguível de como eles agiriam com relação a outros gatos. Eles pensam que somos desajeitados: não são muitos gatos que tropeçam sobre as pessoas, mas tropeçamos com gatos. Mas eu não acho que eles pensam que somos bobos e estúpidos, uma vez que os gatos não se esfregam em outro gato que seja inferior a eles.” afirma John.  Se seu gato não se esfrega em você, talvez seja hora de ficar preocupado. (risos). Não há muitas pesquisas conclusivas sobre como os gatos pensam e sentem sobre nós, mas é importante reconhecer que os gatos são animais sociáveis até um ponto, mas não tanto quanto os cães.

O fato é que amamos os nossos animais de estimação e eles nos amam também. Se você se considera ou não um pai de pet, se seu pet te vê ou não como pai, não importa. O importante é saber o quanto eles são especiais e que merecem toda nossa atenção e amor. Afinal a conexão que estabelecemos com nossos pets, é a relação mais importante da vida deles!

 

Fontes:

Super Interessante, Awebic, National Geographic Brasil