Gato vicia

Gato vicia. E eu poderia acabar por aqui mesmo o texto de hoje porque isso resume muito bem a sensação de quem tem gatos. E isso só acontece com os felinos. Experiência própria!

Quando eu era criança sempre tive animais em casa. E era de um tudo: cachorro, gato, passarinho, peixe, tartaruga, esquilinho, pinto (sim, de galinha), borboleta (na verdade tivemos a larva e o casulo, quando virou borboleta soltamos) e até uma planta carnívora (que ok, não é bicho, mas tinha que cuidar e dar “comida”).

Mas gato vicia. Ganhamos o primeiro gato. Foi um susto. Tínhamos uma cachorrinha em casa e como não tínhamos experiência com gatos, logo achamos que não daria certo. Mas deu. Trovão (o gato) logo se adaptou com a casa. Naquela época também não tínhamos consciência sobre castração e controle populacional e acabamos cruzando o Trovão. Resultado: surgiu mais um gato em casa, dessa vez a Brisa (filha do Trovão, pá… entenderam o trocadilho?).

Mas gato vicia. E não só nos viciou, como também nos fez ter muito mais compaixão com os bichinhos de rua. Começamos a ler sobre o descontrole populacional de animais, a importância de castrar, de retirar os animais da rua e tivemos conhecimento sobre a terrível “fábrica” que existe por trás desses criadores (seja de cães, gatos, coelhos… ).

E porquê gato vicia, a gente começa a andar pelas ruas tentando encontrar algum gatinho indefeso. E foi isso que aconteceu com a minha mãe, quando ela voltava do trabalho. Achou um gato fadado à morte (filhotinho de nada, atrás de um carro estacionado numa rampa). Pronto, passamos a ter 3 gatos. E logo em seguida, com a chegada do Otávio, já eram 4 gatos.

Casei. Saí de casa. A vontade era levar os gatos comigo. Mas com os gatos aprendi a pensar nos outros (pelo menos quando se trata de gatos) pra depois pensar em mim. Sabia do apego enorme que eles tinham com meus pais. Foi triste, mas saí de de casa e eles ficaram.

Mas gato vicia. Após 2 meses de casados, as já conhecidas de vocês, Margot e Berenice passaram a fazer parte da nossa familhinha <3 Depois aquela coisa linda e amarela, também conhecido como Nestor, passou a integrar a família e, como 3 é o limiar da loucura fechamos as portas. Mas não passou muito tempo e um par de olhos azuis ganhou meu coração e Vicente foi pra casa também.

Quatro era um número ok né? Um casal, quatro mãos, quatro gatos. A conta parecia perfeita.

Mas (agora em coro) gato vicia. Eu faço parte de um projeto aqui de Floripa, o Adote um Ronrom, que resgata, cuida e encontra lares para gatinhos de rua. Já estou no projeto faz um bom tempo, sempre resistindo bravamente a cada gato que aparece por lá. Mas a carne é fraca, o coração é mole e o pessoal do projeto não perdoa.

Gato vicia. E vicia tanto, que de 4 pra 7 foi um piscar de olhos: Catarina, Marieta e a recém chegada Maui agora integram o clã felino aqui de casa – e da Neema.

Éramos 2, agora somos 9. Eu dormia tranquilamente, uma noite inteira e pra acordar com o despertador era um trabalho. Hoje se durmo de porto aberta viro cama de gato e se resolvo fechar a porta, 5h da manhã já tem algum deles pedindo comida. Antes comprava um pacotinho de ração de 1 kg e durava o mês inteiro. Hoje, pra durar um mês, o pacote tem que ser de 10 kg.  Antes a casa era silenciosa e vazia. Hoje tem sempre uns miados me seguindo pela casa e, se não cuidar, a gente tropeça em algum deles.

Mas agora tenho 7 motivos pra voltar pra casa, 7 motivos de muita risada, 7 companhias diárias, 7 cabecinhas pra dar beijo de bom dia. Agora sou 7 vezes mais feliz 😉

E né… Gato vicia, mas espero que 7 seja o nosso número!

Viciado(a) em gatos também? Conta pra gente como foi que começou esse vício e em que número você está!