Interpet

Que o mercado pet é um gigante, todos já sabem. Em 2019 faturou R$22,3 bilhões – somente no Brasil – segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). De acordo com o IBGE, existem mais de 140 milhões de animais de estimação no país, entre eles 55 milhões são cães e, 24 milhões são gatos. Ainda segundo o levantamento, 62% das casas brasileiras têm pelo menos um cachorro ou gato entre seus moradores e, há mais animais de estimação do que crianças. Esses são alguns dos motivos pelos quais nos últimos anos o animais de estimação estão sendo elevados à posição de membro da família. 

Exatamente por conta dessa dedicação crescentes, a exigência por serviços e produtos cada vez melhores e os tutores estão sempre em busca de novidades no setor. Apesar de ser tradicionalmente offline, o mercado pet cada vez mais tem investido em inovação, digitalização e, a trazer soluções ao nosso alcance pelo smartphone. Em um contexto tão dinâmico, a tecnologia é essencial na oferta de produtos e serviços para os pets, trazendo comodidade para a rotina dos tutores. “A tendência é que, progressivamente, o pet seja considerado um membro da família. Dessa forma, todo serviço prático e rápido vai ganhar a preferência dos tutores dos animais de estimação. É o que aconteceu com serviços de mobilidade urbana ou de pedidos de delivery – o que é bom para nós vai ser cômodo para nosso dia a dia com eles também. Quanto mais lúdico e interativo for um serviço em plataformas digitais, mais bem-sucedido ele será”, aposta o vice-presidente de comércio e serviços do Instituto Pet Brasil (IPB), Nelo Marraccini.

O meio digital já começou a mudar o mercado pet, principalmente no ramo do varejo. A Petlove, foi a pioneira no e-commerce brasileiro. Em 1999 foi fundada pelo médico veterinário Marcio Waldman, um aficionado por tecnologia, que apostou vender itens para pets pela internet. Os negócios prosperaram tanto que Waldman teve que fechar sua clínica veterinária e se dedicar inteiramente ao comércio online. Atualmente, a loja comercializa 15 mil SKUs, e oferece um plano de assinatura mensal para que o cliente receba em casa produtos de sua escolha, com a flexibilidade de mudar os itens conforme a necessidade ou cancelar o serviço quando quiser. “A migração de consumo offline para online é evidente e temos ganhado clientes novos todos os meses. As pessoas estão procurando um melhor custo-benefício, comodidade de receber os produtos em casa no prazo, sem precisar fazer estoque, e a um custo acessível”, analisa Waldman.

 A pioneira em acessórios com identidade e lifestyle, a Zee.dog, percebeu a necessidade de uma logística mais eficiente na entrega de produtos pet, e inovou mais uma vez. Em 2018 lançaram a Zee.now, um aplicativo que entrega coleiras, medicamentos, ração, ou qualquer coisa que você precise do mundo pet, em até duas horas – inclusive durante a madrugada. Por enquanto, o app funciona em 90 bairros das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. “Nos últimos tempos, passou-se a comprar online, o que também não soluciona todos os problemas, porque você paga frete, vai ter de esperar mais de um dia, etc. E a compra de produtos pet é muito imediatista, preciso da ração agora porque acabou. A Zee.now então foi criada não por uma tentativa de prever o futuro, mas para solucionar um problema básico.” afirma Felipe Diz, CEO da empresa, que acredita que no fututo, o braço tecnológico da zee.dog seja maior que a marca-mãe.

Outra novidade no e-commerce, é a tecnologia que possibilita que os próprios cãezinhos escolham os produtos de sua preferência. Junto com a Ogilvy Brasil e as empresas D2G Tecnologia e Hogarth, a Petz desenvolveu um novo serviço online baseado em inteligência artificial: o Pet-Commerce. Para utilizar, é preciso que a câmera do aparelho com acesso à internet (computador, tablet ou celular) capte toda a face do cachorro. Assim, a inteligência artificial consegue identificar o nível de interesse para a compra de determinado produto – representado por um gráfico de ossinhos. Para que essa identificação fosse possível, o sistema foi ‘treinado’ com milhares de fotos de cachorros, identificando padrões nas expressões faciais em momentos de alegria e entusiasmo. O sistema também foi desenvolvido considerando a visão dos cães, que enxergam numa escala de amarelos e azuis. Além disso, todos os produtos são apresentados em forma de vídeos, pois os cães não prestam atenção em imagens estáticas.

No setor de serviços, as plataformas digitais também já fazem a diferença em áreas como banho e tosa, passeios, consultas, entre outros. “Hoje em dia é muito mais fácil receber indicações e avaliações de profissionais, marcar um horário no pet shop ou na clínica veterinária, ou até mesmo checar se determinado estabelecimento aceita animais dentro de seu espaço”, diz Nelo Marraccini, do IPB. Pelo app PetBooking, por exemplo, é possível agendar serviços como banho e tosa, adestramento, passeios e consultas veterinárias. Já pelo aplicativo Dog Hero é possível encontrar anfitriões para hospedar os cãezinhos enquanto os tutores viajam ou trabalham. Similar ao airbnb, os anfitriões recebem avaliações, o que ajuda a escolha dos tutores, e o pagamento é feito pela própria plataforma com cartão. 

Mas a tecnologia não é a base apenas para aplicativos e compras online. Marracini, do IPB, comenta que os chips identificadores para pets com ou sem GPS já são uma realidade, bem como as coleiras eletrônicas. A empresária Carolina Ozima, de São Paulo (SP), é dona do Barthô, um cãozinho da raça maltês de 3 anos, e apostou na tecnologia para acompanhar o seu companheiro. Ela instalou uma câmera, conectada ao celular por app, na sala do apartamento para observar o comportamento do cão quando ele fica sozinho em casa. “Quando estou fora, acesso o aplicativo e vejo o que ele está fazendo, se está latindo, comendo ou se fica com medo por conta de algum barulho”, afirma.

A inovação no setor pet vem crescendo cada vez mais e a expectativa de expansão do mercado é enorme. Ainda não sabemos quais serão as próximas facilidades para nossos animais de estimação, mas de uma coisa já temos certeza, eles estão ganhando espaço e se tornando protagonistas em várias escolhas que fazemos ao longo de nossa vida. Qual tecnologia você já usa para facilitar sua vida e melhorar a qualidade de vida do seu animalzinho?