Um ano de neema

Nosso primeiro lançamento foi no dia 14 de dezembro de 2019, numa feira de rua em Florianópolis e hoje completamos o primeiro da nossa marca!!! Muitas pessoas afirmam que o primeiro ano de um empreendedor é o mais difícil, e quando esse primeiro ano coincide com uma pandemia global? Realmente, não foi nada fácil.

Nesse primeiro ano tivemos algumas conquistas, muitas dúvidas, muitos tombos, mas principalmente muitos aprendizados. Aprendi muito sobre mim mesma, sobre negócios, sobre pets, ainda mais sobre clientes e fornecedores, criei minhas próprias regras, percebi novos valores e agarrei oportunidades nunca antes imaginadas na vida.

Houve momentos em que sofri de ansiedade, outros que tinha certeza do que estava fazendo, e sonhei repetidas vezes que voltava para o meu antigo emprego (coisas do subconsciente). O meu maior pesadelo não era ficar sem dinheiro e falida, procurar outro emprego, ou transformar a neema em um hobby, ou emprego part-time, mas sim em abandonar o sonho dessa marca incrível que agrega tudo aquilo que amo e defendo: design, animais, e sustentabilidade!

Para o post de hoje, resolvi compartilhar com vocês o balanço desse ano vivido na neema. Compartilhar os erros e acertos, as perdas e ganhos, as vitórias e fracassos do primeiro ano empreendendo!

 

Vitórias

 

Vitória # 1: Criar minha rotina e minhas próprias regras

Trabalhar de casa e poder fazer nosso próprio horário é muito vantajoso. Se safar do trânsito, ou do ônibus lotado, poder levantar e começar a trabalhar em 10 minutos. Posso acordar tranquila, tomar café, levar meu cachorro para passear e começar a trabalhar as 9h! Posso parar as 11h para fazer o almoço e voltar a trabalhar as 13h, tomar um café da tarde e trabalhar até as 19h, 20h. Tem dias que a gente rende mais, outros nem tanto. Mas é assim em todos os ambientes de trabalho, a diferença é que agora eu consigo tirar proveito dessa montanha russa a meu favor, e a favor da minha empresa.Muitas vezes eu me esqueço até que dia da semana é.

 

Vitória # 2: Aprender a trabalhar em diferentes áreas

Sou uma pessoa dinâmica que gosto de trabalhar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Empreender coloca isso à prova o tempo todo. Você tem que ser marketing, vendedora, produtora, estoquista, costureira, negociar com fornecedores, expor em vendas, fechar parcerias, controlar as finanças.. enfim. É tarefa que não acaba, e de todos os setores que sua empresa envolve – por enquanto só não experimentamos ainda a contratação de pessoas. Nem sempre é fácil ou prazeroso, principalmente porque temos que lidar com áreas que não estão dentro das nossas competências profissionais ou afinidades, mas o aprendizado que tudo isso traz, é muito engrandecedor.  

 
Vitória # 3: Desenvolver resiliência

O mais bacana de ser empreendedor é descobrirmos o quão fortes e resilientes podemos ser. O ano começou devagar, mas em constante crescimento, quando de repente, a pandemia chegou ao Brasil. Tudo se tornou ainda mais incerto, a economia sofreu uma enorme retração, recebemos mais nãos do que sims, vimos a renda cair para baixo.. definitivamente não foram tarefas fáceis de vivenciar. Sobrevivemos ao primeiro ano com uma renda não estável e, usando todo o investimento previsto, algumas reservas extras, mas sem perder completamente a sanidade. Somente após um ano completo na vida do empreendedor conseguimos reconhecer períodos de altos e baixos, e saber que tudo vai ficar bem, mas que pode piorar muito antes de melhorar.

 

Fracassos

 

Fracasso #1: Não ter a renda desejada para fechar o ano

A minha ideia como empreendedora solo era ganhar mais do que eu ganhava na CLT, e com a pandemia ficou o desejo de apenas sobreviver, apesar de tudo. Ter uma renda variável, da noite para o dia, requer um controle emocional bem grande, e é muito difícil olhar para um futuro muito mais distante que o próximo mês. Ao final deste primeiro ano, fechamos o fluxo de caixa com o retorno do investimento, mas sem lucro significativo para reinvestir no ano que vem – mas ainda temos vários produtos para vender e ter o valor para sobreviver ao primeiro semestre de 2021.

 

Fracasso # 2: Não ter contato com outras pessoas

Eu sempre gostei de trabalhar em equipe, e trabalhando em casa, numa empresa de duas pessoas, o contato humano e as trocas ficam mais escassas, e as vezes praticamente nulas. A gente fica e se sente isolada, sozinha. Temos muito contato virtual com clientes, fornecedores, mentores, cursos on-line, mas para mim, nada substitui o calor humano.  

 
Fracasso #3: Ver o mundo desabar e querer cair junto

Por muitos momentos, empreender é muito difícil, exige paciência, resiliência, reservas econômicas, contatos, muitos clientes potenciais, controle financeiro, gestão de custos, e saber viver com uma renda variável. Eu e meu marido nos mudamos para um apartamento com metade do tamanho, mudamos diversos hábitos, cortamos luxos e supérfluos, e aprendemos a aproveitar a vida com mais contato com a natureza e menos gastos. E apesar de todas as dificuldades e adaptações de vida eu sempre acreditei muito na empresa que estamos construindo. Mas teve um momento de crise em que eu pensei: o que estou fazendo da minha vida? Será que estou no caminho certo? Passado o desespero, e mesmo com todas as adversidades, sei que estou trilhando meu melhor caminho.

 

Conclusão

 

Ser empreendedor, dono da sua própria vida, e ter uma empresa rentável é o sonho de muitas pessoas. Mas como tudo na vida, existem prós e contras, muuuito trabalho e muitos desafios no meio do caminho. O primeiro ano me mostrou que empreender não é uma jornada fácil, que exige um pouco mais de força de vontade que o normal, e que é preciso sair da zona de conforto todo dia (meu marido me diz isso toda semana!).

Mas mesmo que essa jornada tenha se mostrado mais desafiadora do que o planejado, pretendemos seguir nesse caminho. E se precisar, faremos algumas pausas, re-traçaremos algumas rotas, re-desenharemos algumas estratégias, mas sem nunca perder o brilho no olhar e o foco de chegar aonde quisermos!